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Mario Albuquerque

8 de jan. de 2023
1 min de leitura

O Francês era de uma geração logo anterior à minha, a do meu irmão Pedro, diferença de quatro anos, muita na infância e adolescência e parte da juventude, mas que vai diminuindo com o avançar da idade e da aquisição da cultura, podendo até mesmo inverter. Outros fatores impedidores de aproximação antes dos meus trinta foram sua condição de universitário e eu secundarista e os partidos em que estávamos engajados, ele PCdoB eu POR(T)*, que, como é sabido, eram não só inimigos, mas inimigos mortais (aínda?), stalinistas x trotskystas , Deus e Diabo na Terra do Sol.


O tempo tem o condão de aproximar ou distanciar gerações, o que foi o nosso caso. O 64/68 foi a chave, eu vindo da última e ele passageiro de ambas, trafegando na sua bitola histórica-memorialistica, pés, mente e coração fincados tanto numa como na outra e nos muitos ramais que se abriram na sequência, pois Francis era essencialmente uma pessoa do presente mas sem largar o olho do retrovisor, manejando a lente grande ocular da história como poucos.


Nos aproximou e nivelou o início dos libertários anos 80, quando caí de boca nos frutos fartos e apetitosos brotados com os estertores da ditadura e encontrei no seu Gourmet das Arábias e Pousada dos Artistas cais seguro para singrar mares nunca dantes navegados.


Mario Albuquerque

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