Carlos Augusto Patinhas
Amigo
A minha maior vivência com o Francis foi no período 63/68. Tempos das reformas de base de João Goulart, do golpe militar de 1964, do papel saliente da resistência organizada pelo movimento estudantil no Brasil e no Ceará. Algumas características que se destacam na atuação do Francis: análise política mais abrangente sobre o golpe de 64, necessidade de construção de uma frente ampla de contraposição ao regime ditatorial, papel do movimento estudantil na resistência, diante do processo de radicalização em 67 e 68, Francis alertava que as lideranças não podiam se afastar da estudantada das faculdades para evitar o perigo de isolamento, da compreensão de que no processo de luta seria necessário a reorganização do Partido Comunista.
A empolgação com o sucesso do GRUTA (Grupo Universitário de Teatro e Arte), organizado pelo DCE, nas apresentações de peças teatrais em Fortaleza, Sobral e no Cariri, batalhador incansável da unidade na composição de chapas para a direção do DCE (vitoriosa em 66 e 67). Em toda a trajetória de luta era forte a sua convicção de que por mais dura que fosse a repressão a vitória seria das forças democráticas (ocorrido em 1984). Impressionou-me a coragem e a serenidade com que enfrentou o câncer nos seus últimos anos de vida. Idealizou e batalhou até o último momento pela concretização de um filme sobre a Revolta da Cabanagem no Pará. Assim era o Francis Vale. As suas ideias são de grande valor para o Brasil de hoje.

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