Duarte Dias
Amigo
Estar na companhia de Francis era ter o privilégio de conviver com alguém que via a cultura como um conjunto indivisível de saberes e potencialidades, a despeito das peculiaridades de cada componente. Era também ter a oportunidade de saber detalhes de muitos dos capítulos da nossa história; dono de uma memória prodigiosa, Francis era capaz de narrar não só fatos e falas, mas o dia, a hora e o ano em que os mesmos se deram.
Homem combativo, íntegro e profundamente comprometido com os ideais coletivos, Francis não se furtava ao debate duro e incisivo sempre que percebia alguma manobra não republicana, fosse ela feita por anônimos ou poderosos. E fazia isso às claras, olho no olho, dando nome aos bois e expondo-se - expondo-os - em praça pública, prática pouco comum nessa "Terra Brasilis", tão dada a conchavos e obscuridades.
A última vez que vi o meu amigo Francis com vida foi numa visita que fiz ao seu apartamento, uns quinze dias antes do seu adormecer definitivo. Nessa noite ficamos eu, ele e a Bel, sua filha, conversando sobre cinema, história, música e literatura. Ao término nos despedimos com um abraço afetuoso e a promessa, de minha parte, de uma nova visita.
"Se cuide meu amigo, você ainda tem muita coisa boa pela frente", foram minhas últimas palavras para ele.
Francis Vale, Presente.

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