Hermano Pena
Amigo
Lá se vão os anos. Aliás, décadas. Era final dos 70, começo dos 80. Estava em Fortaleza para exibir alguns filmes; quando me levaram a um casarão, penso eu que perto do mar. Não podia passar por Fortaleza e não conhecer o Francês. O Francis da música, dos músicos, dos artistas locais e anfitrião maior daqueles que chegam nas terras de Iracema e Tupa. Meus guias me avisaram, em tom solene - vais conhecer uma figura central da renovação cultural do Ceará. Os comentários que acompanharam o convite me fizeram pensar numa espécie de Guru, solene e cheio de pompas. O homem que me recebeu, nada tinha do que se anunciara.
Na sua fala mansa e pausada só aparecia o interesse pelo outro, e só escorregava para as coisas mais simples. Como você está ? Está conseguindo realizar o trabalho que veio fazer? As perguntas soavam no ritmo tranquilo de uma cordialidade e franqueza que lembravam algum sertão, mesmo que ancorado nas águas do mar. Cordialidade, franqueza e entusiasmo que faziam os artistas convergirem à pensão do Francis. Logo senti - é mais irmão do que guia. Companheiro para as viagens, alegres ou difíceis. Os anos passam. Francis conclama os amigos, e mais jovens presentes e futuros cineasta. Sua fala continua mansa, franca e firme - Vamos tentar ler juntos os caminhos futuros do cinema que queremos fazer. Em Jericoacoara, somos recebidos por seu afeto e no carinho de sua maravilhosa família.
Querido Francis, seu sonho continua em todos nós!

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