João de Paula
Amigo
Em suas múltiplas atividades intelectuais e artísticas, Francis Vale não dedicou-se muito ao teatro, mas a metáfora da ribalta, como fonte de iluminação de atores em palcos, tem tudo a ver com o modo dele atuar nas artes e comportar-se na vida: jogar luz mais nos outros do que em sí.
Francis amava a MPB, tendo sido autor e coautor de belas composições, mas empenhou-se mais em promover as carreiras de compositores e cantores do que a própria; Como escritor, não lhe bastava publicar o que produzia, empenhava-se na criação de canais de expressão de escritos de outros, a exemplo de sua grande contribuição na criação e distribuição do Jornal O Mutirão; Como cineasta, focou as câmeras que dirigia em pessoas e acontecimentos que ele considerava relevantes, dando-lhes brilho nas telas e, não limitando-se à difusão de suas obras, investia precioso tempo na organização de festivais e cine-clubes, divulgando o trabalho de seus colegas;
Na política Francis via um poderoso instrumento de luta pelo desenvolvimento sócio- econômico e tinha um grande talento como articulador, planejador e organizador de atividades coletivas concernentes a ela, sem aspirar a benefícios pessoais ou a ocupação de postos por vaidade. Ao contrário, generosamente, era capaz de indicar outra pessoa para ocupar um cargo em seu lugar, quando julgava que essa era uma opção mais adequada, como aconteceu em 1967 ao propor meu nome para a presidência do DCE da UFC.
Nas artes, como na vida, para o meu amigo Francis, o seu brilho era fazer os outros brilhar.

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