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William Vale

7 de jan. de 2023
3 min de leitura

Eu e o meu Francis, fomos muitos unidos, embora tivéssemos tido algumas briguinhas, porém nada de guardar mágoas ou rancores. Ele era muito correto quando o garoto, não mentia e assumia tudo o que fazia. Neste texto, passo a contar alguns "causos" que se passaram na nossa infância-juventude e que de certo modo marcaram as nossas vidas para sempre.


O Eduardinho morreu afogado na cacimba dos Bodes.

Passávamos as férias na Fazenda Descanso, de propriedade de nossos tios, Zé do Vale e Madrinha Senhora (ele irmão do nosso pai e ela irmã de nossa mãe). Eles criavam um menino parente nosso, como filho (não tiveram filhos naturais) esse menino era muito adulado e protegido. O Eduardinho era muito ardiloso, e sempre nos acusava de coisas ruins que ele fazia. Era sonso. Certo dia, fomos os três, para uma cacimba, chamada Cacimba dos Bodes, e quando era inverno era coberta pela cheia das águas e ficava muito perigosa. Um dia Eduardinho, nos induziu a voltar para casa e dizer que ele tinha morrido afogado na tal cacimba. Assim foi feito e a tardinha, quase escurecendo voltamos para a casa da fazenda, sem o Eduardinho. Aí perguntaram, onde estava o Eduardinho, eu respondi morreu afogado na cacimba dos Bodes.


Aí foi um alvoroço, correu todo mundo para lá e não o encontraram e quando todos cansaram de procurá-lo, ele aparece rindo, com uma outra história dizendo que eu, tinha inventado a tal proeza que ele teria morrido. Aí sobrou para mim, levei uma grande surra da mamãe e quando ela foi bater em Francis, ele disse a verdade, que o Eduardinho era quem tinha inventado tudo, porém mesmo assim, nós pagamos o pato...


O Dono da bola

Francis sempre foi um lider e todos gostavam dele. Muito econômico, ele juntou alguns trocados e fez uma vaquinha entre os amigos e a família e comprou uma bola de futebol de couro. Naquele tempo, jogava-se com bola de couro, ele tomava conta dela com muito cari-nho, e fazíamos torneios em um campinho que tinha em um terreno de nossa casa. Assim qualquer tempo que tínhamos, juntava a molecada toda e formavam os times com torneios.

O Francis era goleiro de vários times, pois quando o time dele perdia, ele tinha que continuar jogando no time que entrava. Acontece que um time tinha sido formado, e o time dele tinha perdido porém não o aceitaram como goleiro do time que estava entrando. Aí foi uma briga, ele disse: Se eu não jogar, o jogo acabou, pois eu sou o dono da bola.


Os ovos das galinhas da vizinha

Morávamos em Maracanaú, e um dia resolvemos roubar os ovos das galinha da vizinha. Eu pulava o muro e ele ficava de guarda perto do portão da casa vizinha para ver se alguém da casa da vizinha não vinha. Peguei uns cinco ovos e passei para ele pelo portão e pulei o muro. Feito isso, fomos vender na padaria do senhor Manuel. Trocamos tudo por uns bombons e fomos comer as guloseimas em casa.


Passou algum tempo, a vizinha bate na porta de nossa casa e chama a mamãe e conta que a empregada dela estava escondida e que viu tudo, inclusive quando nós entramos com os ovos dentro da padaria. Imediatamente a nossa mãe, foi a padaria e pagou pelos cinco ovos e deu a vizinha, pedindo as devidas desculpas e me deu uma surra.

Quando ela terminou, perguntou ao Francis se ele tinha participado do "crime e ele disse bem triste, não só fiquei olhando se não vinha ninguém…


Peia nele também!


O caso da camisa Banlon

Quando ele fazia a 3ª série de ginásio, o padrinho da nossa mãe Antònio Gomes de Freitas, político famoso naquela época, deputado estadual, presidente da Assembléia, arranjou um emprego de "office boy" no DAER para o Francis, que trabalhava das 14:00 às 18:00 horas.


Naquele tempo, era um bom dinheiro, e ele como sempre econômico, dava uma parte para a nossa mãe guardar e a outra ele comprava roupas, sapatos e outros gastos para ele. E eu não tinha nada. Aí surgiu uma moda de camisas banlon, era a precursora da camisa tipo polo, hoje muito comum.


Ele comprou duas e eram muito bonitas, e quando ele vestia uma, eu vestia a outra. Uma camisa dele estava suja e ele pediu para a nossa empregada para lavar, que ele ia sair para uma festa de São João na Maraponga - na casa do senhor Bibi Frota, com os amigos que ele estudava. A empregada lavou e me falou que ele ia precisar, porém eu vesti a camisa e ele ficou com muita raiva de mim. Passada a raiva, ele chamou a nossa mãe e disse: mamãe, essa camisa eu vou dar definitivamente para o William, porém ele vai me prometer que nunca mais vai vestir as minhas roupas...

Dito e feito, eu tive que cumprir a promessa.


William Vale

Irmão

 
 
 

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